A Araucária Nitrogenados, conhecida como Ansa, é a fábrica de fertilizantes da Petrobras em Araucária (PR), na Região Metropolitana de Curitiba. Ela produz ureia, amônia e Arla 32 ao lado da Refinaria Presidente Getúlio Vargas. Para quem estuda para concurso de nível médio, o que importa é outra coisa: a seleção de 2026 abriu 105 vagas de nível médio, a maioria dentro da planta.
A empresa é controlada pela Petrobras, mas faz a própria seleção, com edital e acordo coletivo dela. A fábrica ficou hibernada a partir de 2020 e voltou a produzir ureia em 30 de abril de 2026. O processo seletivo do Cebraspe fez parte dessa retomada.
Entender o que a fábrica faz ajuda a escolher a ênfase. Cada cargo de nível médio cuida de uma parte do mesmo processo, que funciona o dia inteiro, inclusive à noite e no fim de semana.
Sumário
O que a Araucária Nitrogenados produz
A Araucária Nitrogenados é uma sociedade anônima de capital fechado, controlada pela Petrobras. O objeto social dela é produzir e vender fertilizantes e produtos químicos feitos de petróleo, gás natural e derivados. Segundo o portal institucional da empresa, os principais produtos são amônia, ureia, Arla 32 e gás carbônico.
A capacidade instalada é de 720 mil toneladas de ureia por ano, cerca de 8% do mercado brasileiro desse adubo. A fábrica produz ainda até 475 mil toneladas de amônia e 450 mil metros cúbicos de Arla 32 por ano. Os números são da Agência Petrobras, em nota de 30 de abril de 2026.
O Arla 32 é o líquido que os veículos a diesel usam para reduzir a emissão de poluentes. Já a ureia vai para a indústria de adubos, e não direto ao produtor rural. A matéria-prima é o resíduo asfáltico da Refinaria Presidente Getúlio Vargas, a Repar, que fica ao lado da fábrica.
Essa ligação com a refinaria aparece em reportagem da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), de 24 de julho de 2024. Por isso a Ansa funciona como uma extensão do refino da Petrobras no Paraná, e não como uma fábrica isolada.
Assim como a Transpetro, a Ansa é uma empresa do Sistema Petrobras com diretoria e empregados próprios. A diferença entre a holding e as subsidiárias da Petrobras explica por que cada uma faz o próprio concurso, com banca e calendário diferentes.
Por que a fábrica ficou parada e como voltou
A fábrica foi inaugurada em março de 1982, privatizada em 1993 e comprada de volta pela Petrobras em 2013, segundo a CNA. Depois de tentativas de venda sem sucesso, a unidade entrou em hibernação em 2020. Na época, a Petrobras informou prejuízo de R$ 250 milhões da Ansa entre janeiro e setembro de 2019.
A diretoria da Petrobras aprovou a volta das atividades em junho de 2024. Desde então, a fábrica passou por manutenção, inspeção, testes e recomposição de equipes. Antes da ureia, ela já tinha produzido Arla 32 e amônia.
A primeira ureia da nova fase saiu em 30 de abril de 2026, depois de um investimento da ordem de R$ 870 milhões, segundo a Agência Petrobras. A mesma nota diz que a preparação gerou mais de 2 mil empregos na fase de mobilização. Na operação regular, a fábrica mantém cerca de 700 postos de trabalho diretos.
A Ansa voltou junto com as fábricas da Petrobras em Sergipe, em dezembro de 2025, e na Bahia, em janeiro de 2026. Com as três, a Petrobras deve chegar a cerca de 20% do mercado interno de ureia.
Foi para reforçar esse quadro que a empresa publicou o Edital nº 1, de 23 de fevereiro de 2026, com 126 vagas e banca do Cebraspe. No portal institucional, a Ansa informa que a seleção segue o plano de retomada operacional da unidade.
Como são o turno e o salário de nível médio na Ansa
A fábrica funciona sem parar, e quem trabalha em turno segue o Acordo Coletivo de Trabalho 2025-2027 da Ansa. O acordo foi assinado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas do Paraná.
Pela cláusula 38, o turno ininterrupto de revezamento tem 5 grupos e jornada de 8 horas. Na média, isso dá 33 horas e 36 minutos por semana, sem hora extra pela escala. A cláusula 39 permite também o turno de 12 horas, com 1 dia de trabalho para 1,5 dia de folga.
Nos dois modelos, a Ansa paga, pelo acordo, os adicionais de trabalho noturno, de hora de repouso e alimentação e de periculosidade, quando o empregado tem direito. Pela cláusula 2 do acordo 2025-2027, o adicional noturno vale 26% do salário básico. O de hora de repouso e alimentação vale 39%, nos dois casos já com a periculosidade, onde ela couber.
No Edital nº 1, de 23 de fevereiro de 2026, a remuneração de todas as ênfases de nível médio é de R$ 4.144,77 para 40 horas semanais. A esse valor se somam as vantagens e os benefícios vigentes na admissão. O Anexo I traz um valor único, sem separar salário básico e garantia de remuneração mínima.
A tabela salarial do acordo começa em R$ 4.144,87 no primeiro nível, valor quase igual ao do edital, e foi reajustada pelo IPCA em 1º de setembro de 2026. O valor final de quem vai para o turno depende da escala em que entrar e dos adicionais que couberem a ele.
O que fazem os técnicos de nível médio da Ansa
O Anexo I do Edital nº 1, publicado na página do Cebraspe, descreve as atividades de cada uma das 16 ênfases de nível médio. Agrupadas pela área da fábrica, elas mostram onde está a maior parte das vagas.
Das 105 vagas de nível médio da seleção de 2026, 82 (78%) são de Operação, manutenção e inspeção, os cargos que trabalham dentro da planta. A conta é da Acelera Concursos, feita no Anexo II do Edital nº 1 em 4 de novembro de 2026.
Uma frase se repete nas 16 descrições: o empregado de nível médio também faz a fiscalização técnica e administrativa dos contratos de bens e serviços. Na prática, o cargo inclui acompanhar o serviço das empresas contratadas na área dele.
Operação, a ênfase com mais vagas
Operação teve 59 vagas, mais da metade de todo o nível médio. Pelo edital, o técnico de operação mantém a operação contínua das instalações, dos equipamentos e dos sistemas industriais. Ele segue as normas de qualidade, segurança, saúde e meio ambiente, na escala de turno descrita acima.
Operação também é a ênfase que aceita mais formações: são 26 cursos técnicos, de Química e Petroquímica a Mecânica e Eletrotécnica. Quem ainda vai escolher o curso técnico para trabalhar no Sistema Petrobras encontra nessa lista o caminho mais largo.
A rotina parecida, na holding, aparece no post sobre o técnico de operação da Petrobras, que também trabalha em turno de 8 horas.
Manutenção e inspeção de equipamentos
Caldeiraria, Elétrica, Instrumentação e Mecânica dividem 17 vagas e têm no edital a mesma descrição. As quatro fazem manutenção preventiva, preditiva e corretiva dos equipamentos, cada uma na sua área. O que muda é o equipamento, e a lista de matérias de cada ênfase mostra isso.
A lista de matérias de Caldeiraria traz soldagem, metalurgia e resistência dos materiais, e a de Elétrica traz diagramas e circuitos de acionamento e controle. A de Instrumentação traz calibração de instrumentos e válvulas de controle, e a de Mecânica, elementos de máquinas e sistemas hidráulicos e pneumáticos.
Inspeção de Equipamentos e Instalações, com 6 vagas, avalia a integridade dos equipamentos e propõe medidas para a fábrica seguir operando com segurança. Enquanto a manutenção executa o reparo, a inspeção acompanha o desgaste e indica o que precisa de intervenção.
Laboratório, segurança, meio ambiente e saúde
Quatro ênfases somam 6 vagas e cuidam do controle em volta do processo. Química, com 2 vagas, faz análises e testes para garantir a qualidade dos processos e dos produtos. A mesma ênfase cuida do preparo e do tratamento de fluidos.
Segurança do Trabalho, também com 2 vagas, atua nas ações que protegem trabalhadores e comunidade. O post sobre o concurso para técnico em segurança do trabalho compara essa vaga com as da Petrobras e da Transpetro.
Meio Ambiente, com 1 vaga, trabalha no uso racional dos recursos naturais e na redução do impacto da fábrica. Enfermagem, com 1 vaga, atua na enfermagem do trabalho e no atendimento assistencial. Essas quatro ênfases tiveram limite de 15 aprovados cada, 3 por sistema de concorrência, o que deixa só 3 nomes na ampla concorrência.
Projetos e apoio administrativo
Seis ênfases somam 17 vagas fora da produção direta. Administração e Controle, com 7 vagas, faz análise, conferência e execução de tarefas administrativas. É a única de nível médio que pede só o ensino médio, sem curso técnico.
Ela teve 3.287 inscritos para 7 vagas, quase o mesmo número de inscritos da Operação, que tinha 59 vagas. O dado está na lista de inscritos publicada pelo Cebraspe em 17 de abril de 2026.
Suprimento de Bens e Serviços, com 5 vagas, cuida de compra, recebimento, armazenamento e controle de estoque. Logística de Transporte, com 2 vagas, apoia o transporte de cargas e de pessoas dentro da operação.
As três ênfases de Projetos, Construção e Montagem, em Edificações, Elétrica e Mecânica, tiveram 1 vaga cada. Elas planejam, projetam e acompanham a montagem de instalações e obras. As questões no estilo do Cebraspe para todas essas ênfases estão no Curso ANSA da Acelera.
Como se preparar enquanto a Ansa não abre nova seleção
A seleção de 2026 já tem resultado final para o nível médio, divulgado no Edital nº 12 em 3 de julho de 2026. Só as ênfases de Engenharia seguem suspensas por decisão judicial. Pelo edital, a validade é de 1 ano a partir da publicação da homologação, com uma prorrogação possível por igual período.
Até 4 de novembro de 2026, a Ansa não havia anunciado nova seleção, que segue em expectativa. O edital da Ansa de 2026 traz as vagas por ênfase, os cursos aceitos e o modelo de prova do Cebraspe. Para começar a se preparar com o que a última seleção mostrou:
- Confira no Anexo I se o nome do seu diploma técnico está na lista da ênfase que você quer.
- Baixe as provas objetivas de 2026, publicadas pelo Cebraspe em 27 de maio, e treine no modelo certo ou errado.
- Estude a lista de matérias da sua ênfase, que mostra o equipamento com que você vai trabalhar.
- Organize o estudo com o curso preparatório para a Ansa e acompanhe a página do concurso Ansa.











