O estivador é o trabalhador portuário responsável por carregar, descarregar e organizar as cargas dentro dos navios, tanto no porão quanto no convés. Além das atividades a bordo, a remuneração desperta interesse pela profissão: em Itajaí (SC), a média recebida pelo estivador avulso passou de R$ 12 mil por mês em 2026.
Quem pesquisa o salário da categoria, porém, também encontra valores próximos de R$ 2 mil. Os números se referem a formas diferentes de contratação e remuneração. No trabalho avulso, o estivador não tem salário fixo: seus ganhos dependem dos turnos em que atua, conforme a escala em rodízio.
Para entender a profissão, é preciso conhecer essa dinâmica e distinguir a estiva de outras atividades portuárias, como a capatazia. A seguir, veja o que o estivador faz a bordo, como funciona a escala e quais exigências observar no processo seletivo do Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO) antes de se inscrever.
Sumário
O que é estivador de porto?
Estivador de porto é quem faz a estiva, a movimentação de mercadorias nos conveses e nos porões dos navios. A definição está no artigo 40 da Lei nº 12.815, de 2013. Entram nela o transbordo, a arrumação, a peação e a despeação, além da carga e da descarga feitas com equipamento de bordo. Peação é a amarração que impede a carga de se mover na viagem.
O trabalho é feito em equipe, chamada de terno, montada para cada porão em operação. No acordo coletivo da estiva do Espírito Santo de junho de 2025, o terno de referência para granito tem sete trabalhadores. São um contramestre, cinco estivadores de porão e um portaló, com guincheiro e operador de empilhadeira como reforço.
O mesmo acordo lista as funções que o estivador pode exercer a bordo. As mais comuns na escala são estas:
- Contramestre de porão: comanda o terno e responde pela arrumação da carga no porão.
- Estivador de porão: arruma, amarra e solta a carga dentro do navio.
- Guincheiro: opera o guindaste do próprio navio que levanta e desce a carga.
- Sinaleiro: orienta o operador do guindaste por gestos, do convés ou do porão.
Pelo mesmo acordo, o equipamento de proteção básico do estivador inclui botina, capacete com jugular, luva, protetor auricular e óculos de segurança. O sinaleiro usa ainda colete refletivo e luva de sinalização, para o operador do guindaste enxergar os gestos de longe.
O que é o fator de estiva?
O fator de estiva indica quanto espaço uma tonelada de certa carga ocupa no porão. Carga leve e volumosa ocupa mais espaço por tonelada que carga densa, como minério. Com esse número, quem monta o plano de carga calcula quanto de cada mercadoria cabe no navio, e o terno arruma o porão seguindo esse plano.
Qual o salário do estivador?
O estivador avulso não tem salário fixo: ele recebe por engajamento, que é cada turno trabalhado. Em 2026, até 31 de agosto, o estivador avulso do porto de Itajaí (SC) teve média de R$ 12.398,27 por mês, segundo o OGMO de Itajaí. É cerca de seis vezes os R$ 2.018,34 que o CAGED registra para a ocupação com carteira assinada.
O valor de R$ 2.018,34 aparece na maioria das buscas e vem do Portal Salário, com dados do Novo CAGED atualizados em 8 de outubro de 2026. Ele conta só o salário base de carteira no código 7832-20 da CBO, sem adicionais. O perfil mais comum nessa base é de um trabalhador de 21 anos, contratado por agência de trabalho temporário.
Por isso o número do CAGED não descreve o estivador escalado pelo OGMO. A tabela abaixo mostra, fonte por fonte, o que cada valor mede.
| Fonte | Valor | O que mede |
|---|---|---|
| CAGED, pelo Portal Salário (out/2026) | R$ 2.018,34 por mês | Salário base de quem tem carteira na ocupação |
| OGMO de Itajaí, 2025 | R$ 13.704,38 por mês | Média do estivador avulso no ano |
| OGMO de Itajaí, 2026 até agosto | R$ 12.398,27 por mês | Média do estivador avulso no ano |
A média do OGMO também mostra que a renda oscila. De 2025 para 2026 ela caiu cerca de 9,5% em Itajaí, porque depende do movimento de navios. Além disso, é média: quem pega poucos turnos no mês recebe bem menos que esse valor.
O cálculo de cada turno aparece no acordo do Espírito Santo, que valeu até julho de 2026 no terminal de Paul, em Vila Velha. Cada função vale um número de cotas: o contramestre recebe 1,5 cota, o guincheiro 1,3 e o estivador de porão 1. O salário-dia de uma cota era de R$ 357,14 com contêiner e de R$ 410,14 com granito, já com encargos.
Esse salário-dia é o mínimo do turno, pago quando a produção não alcança o valor. Os adicionais também pesam no fim do mês. Pelo mesmo acordo, o turno entre 19h e 7h tem 25% de adicional noturno. O domingo de dia paga 87,5% a mais, e o feriado de dia paga o dobro.
Como funciona a escala do estivador
A escala do estivador é feita pelo OGMO, o Órgão Gestor de Mão de Obra, em sistema de rodízio. A regra está no artigo 5º da Lei nº 9.719, de 1998. Desde 2020 a escalação é só por meio eletrônico, e a presencial está proibida.
O trabalhador se habilita pelo sistema, e o OGMO distribui os turnos na ordem do rodízio.
A mesma lei impõe um limite de descanso. Pelo artigo 8º, entre duas jornadas vale o intervalo mínimo de 11 horas, salvo exceção prevista em acordo ou convenção. Na prática, o mesmo estivador não emenda turnos seguidos, mesmo com navio esperando no cais.
Na fila da escala, quem está no registro vem antes de quem está no cadastro. O cadastrado completa as equipes dos registrados, como explica o post sobre como funciona o processo seletivo do OGMO. Para quem acaba de entrar, isso significa menos turnos nos primeiros anos.
A escala também cobra presença. As convenções fixam uma frequência mínima de turnos, e quem não alcança pode ser suspenso. Em 7 de outubro de 2025, o Tribunal Superior do Trabalho validou uma suspensão desse tipo. O OGMO de Paranaguá (PR) tinha afastado por 15 dias um estivador abaixo da média mensal da convenção.
Qual a diferença entre capatazia e estiva?
A capatazia trabalha em terra, e a estiva trabalha a bordo. Pela Lei nº 12.815, a capatazia movimenta a mercadoria dentro do porto, com o equipamento do próprio porto. Já a estiva movimenta a carga no convés e no porão, com o equipamento do navio. São cadastros separados no OGMO, e cada edital diz para qual categoria são as vagas.
Essa leitura evita inscrição errada. O processo de 2026 do OGMO de Itajaí, por exemplo, é de capatazia e arrumador, e não de estiva. Mesmo assim, ele aparece em muita lista como vaga de estivador. Quem quer trabalhar a bordo precisa procurar a categoria estiva no edital do porto.
Como virar estivador pelo processo seletivo do OGMO
O estivador entra pelo processo seletivo privado do OGMO de cada porto, que não é concurso público. O exemplo mais completo é o Edital nº 001/2025 do OGMO do Rio de Janeiro, de 10 de março de 2025. Ele trouxe 100 vagas imediatas e 200 de cadastro de reserva, só para a categoria estiva.
A remuneração, pelo item 2.1, é variável, conforme as convenções e os engajamentos.
Os requisitos do item 2.7.1 incluem ensino fundamental completo, 18 anos e nacionalidade brasileira. A taxa foi de R$ 145,00, com isenção para inscritos no CadÚnico. O caminho tem sete etapas, nesta ordem, e só a prova de títulos não elimina:
- Prova objetiva, aplicada pela banca IDCAP.
- Prova de títulos, que só soma pontos.
- Teste de aptidão física, com atestado médico.
- Avaliação psicológica, com entrevista devolutiva.
- Entrega dos documentos que comprovam os requisitos.
- Exame médico, feito pelo próprio OGMO.
- Curso de formação de 130 horas, também eliminatório.
A prova objetiva é a etapa que mais pesa na classificação. Ela teve 50 questões de quatro alternativas, distribuídas pelo item 5.7.1 como mostra a tabela.
| Matéria | Questões | Peso | Pontos |
|---|---|---|---|
| Língua Portuguesa | 15 | 1,75 | 26,25 |
| Matemática | 10 | 1,75 | 17,50 |
| Legislação Portuária | 5 | 1,25 | 6,25 |
| Conhecimentos Específicos | 20 | 2,00 | 40,00 |
Os conhecimentos específicos valem 40 dos 90 pontos, quase metade da nota. Bastava não zerar a prova para seguir, mas o teste físico chamou só até a 750ª posição, e a avaliação psicológica, até a 400ª.
Passar não garante trabalho imediato. Pelo item 2.5, a aprovação no cadastro de reserva gera apenas a expectativa de futura inscrição. A validade é de dois anos, prorrogável uma vez. O processo do Rio segue em andamento na página da banca IDCAP, com edital de reintegração de 6 de outubro de 2026.
Em Rio Grande (RS), o processo com 90 vagas de estivador foi suspenso em 31 de agosto de 2026 por edital extraordinário, por recomendação do Ministério Público do Trabalho. Os editais novos ficam reunidos na página do concurso do OGMO. Para a primeira prova, vale ver como começar a estudar do zero.
O que conferir no edital antes de pagar a inscrição
Quem lê o edital de estiva com atenção descobre em poucas páginas se a profissão cabe na sua rotina. Confira estes pontos antes de pagar a inscrição:
- Categoria da vaga: confirme se o edital é de estiva ou de capatazia, porque os cadastros são separados.
- Renda esperada: use a média publicada pelo OGMO do porto, e não o salário de carteira do CAGED.
- Curso de formação: veja a carga horária e quem paga as despesas de deslocamento e estadia.
- Frequência mínima: leia na convenção do porto quantos turnos por mês são exigidos.
Com esses pontos claros, o próximo passo é a prova, em que os conhecimentos específicos valem quase metade da nota. O material para cada processo seletivo aberto está na página do OGMO da Acelera.
Imagem de capa: trabalhadores portuários prendem uma lingada de sacaria aos cabos do guindaste do navio, em 1987, foto de Jay Phagan, via Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0, recortada e com cor ajustada.






