Concurso Petrobras embarcado: cargos de nível médio, escala e salário

Só 1 das 16 ênfases do último edital cita plataforma. Veja o que a lei e o acordo coletivo mudam para quem embarca.

No concurso Petrobras embarcado, o candidato não se inscreve para trabalhar no mar. O último edital de nível médio não usa as palavras embarque nem offshore em nenhuma regra. Você escolhe a ênfase e o polo, e só depois da admissão a Petrobras decide se você vai para refinaria, terminal ou plataforma.

Das 16 ênfases daquele edital, só a Operação de Lastro cita plataforma nas atribuições, com 16 vagas no polo Sudeste. Operação, Manutenção, Inspeção e Segurança do Trabalho também têm técnicos a bordo. Nessas áreas, porém, o embarque depende da unidade para onde a empresa manda você.

Quem embarca segue a Lei 5.811, de 1972, que limita a 15 dias seguidos o tempo a bordo. O acordo coletivo da companhia paga adicional de confinamento desde o primeiro dia. No Sistema Petrobras, a remuneração passa de R$ 20 mil somando todos os benefícios, pela conta que a Acelera apresenta aos alunos.

O que o edital diz sobre o concurso Petrobras embarcado

O edital diz onde fica cada polo, mas não diz quem embarca. No Edital nº 1 do PSP RH 2023.2, as palavras embarque, offshore, confinamento e sobreaviso não aparecem. A palavra plataforma aparece uma vez, na Operação de Lastro, na contagem feita em 29 de outubro de 2026.

A escolha que o edital dá é a de polo, entre Ipojuca (PE), Sul e Sudeste. O polo Sudeste reúne cidades como Macaé (RJ) e Vitória (ES), perto das bacias de petróleo no mar. Ele também tem refinarias em Duque de Caxias (RJ) e Paulínia (SP), então o Sudeste não garante plataforma.

Depois da admissão, o subitem 11.5 manda alocar cada pessoa pela necessidade da empresa. A alocação não segue a ordem de classificação nem o domicílio do candidato. O subitem 11.11 ainda permite transferir o empregado para qualquer estado, então a decisão final sobre o mar é da companhia.

O que define a rotina de quem embarca fica fora do edital. A Lei 5.811, de 1972, trata do trabalho nas atividades de petróleo. Já o Acordo Coletivo de Trabalho 2025-2027, em vigor até agosto de 2027, fixa os adicionais e as tabelas de turno.

As ênfases de nível médio que podem levar ao mar

O cargo do concurso é um só, Profissional Petrobras de Nível Técnico Júnior, e a área de trabalho vem da ênfase. Para saber quais ênfases levam ao mar, há duas fontes. A primeira é a lista de atribuições do Anexo III do edital.

A segunda é o relato de Lucas Nunes, CEO da Acelera, que trabalhou embarcado na Petrobras. Ele descreveu as equipes a bordo no post sobre a rotina em uma plataforma de petróleo. Cruzando as duas fontes, oito ênfases têm ligação com o trabalho no mar.

Juntas, essas oito ênfases somaram 635 das 916 vagas imediatas do PSP RH 2023.2, pelo Anexo I do edital. A tabela mostra o que liga cada uma ao embarque, e as apostilas de cada ênfase estão na página do concurso.

ÊnfaseVagas imediatasO que liga ao trabalho no mar
Operação254Operadores de produção a bordo, no relato de Lucas Nunes
Operação de Lastro16, só no SudesteAtribuição cita carga e descarga na plataforma (Anexo III)
Manutenção (4 ênfases: Mecânica, Elétrica, Instrumentação e Caldeiraria)238Mecânicos, eletricistas, instrumentistas e caldeireiros a bordo, no relato
Inspeção de Equipamentos e Instalações36Técnicos de inspeção a bordo, no relato
Segurança do Trabalho91Prova cobra a norma da ANP para instalações marítimas (Anexo IV)
Fonte: Edital nº 1 do PSP RH 2023.2, Anexos I, III e IV, e relato de Lucas Nunes publicado pela Acelera em 12/10/2026. Vagas imediatas somando os 3 polos.

A Operação de Lastro é a ênfase mais ligada ao mar, porque cuida do equilíbrio da plataforma, da amarração e da carga. Em compensação, teve poucas vagas, e só no Sudeste. A Operação teve o maior número de vagas do edital, e o operador pode trabalhar em plataforma, refinaria ou terminal.

Na Segurança do Trabalho, a ligação aparece na prova. O Anexo IV inclui a Resolução ANP nº 43, de 2007, que regula a segurança das instalações marítimas de perfuração e produção. Mesmo assim, nenhuma dessas ênfases garante plataforma, e o técnico pode fazer a carreira toda em terra.

Você tem o perfil para trabalhar na Petrobras? Descubra em 2 minutos qual cargo combina com você. Fazer o teste.Você tem o perfil para trabalhar na Petrobras? Descubra em 2 minutos qual cargo combina com você. Fazer o teste.

Como é a escala de quem trabalha embarcado?

A escala de quem trabalha embarcado na Petrobras tem turno de até 12 horas e teto de 15 dias seguidos a bordo. O artigo 2º da Lei 5.811 só permite o turno de 12 horas em duas situações, e uma delas é a produção no mar. Para cada turno, o artigo 4º garante 24 horas seguidas de descanso e alojamento gratuito.

O artigo 8º proíbe passar mais de 15 dias consecutivos nesse regime. A combinação que mais aparece nas buscas é a de 14 dias embarcado e 21 de folga, que foi a escala de Lucas Nunes. O acordo nacional não traz a escala de quem embarca, porque as 9 tabelas de turno de 12 horas do Anexo XIX valem para unidades em terra (cláusula 61).

A cláusula 132 preserva os acordos regionais, e a escala de cada unidade não aparece no texto nacional. O post sobre o turno do técnico de operação mostra de onde vem o 14 por 21. A escala exata depende da unidade para onde a Petrobras mandar você depois da admissão (subitem 11.5).

Qual o salário para trabalhar na Petrobras?

A remuneração no Sistema Petrobras é de mais de R$ 20 mil, somando todos os benefícios, segundo a conta que a Acelera Concursos apresenta aos alunos. O edital mostra só a parte fixa. Parte dessa conta vem dos adicionais de regime de trabalho. Quem embarca tem ainda os direitos do acordo coletivo listados abaixo, que mudam conforme a unidade.

Esses direitos estão no acordo coletivo e começam a contar depois da admissão, conforme a unidade em que você trabalhar:

  • Adicional Regional de Confinamento: 10%, 15% ou 30%, pago desde o primeiro dia em instalação offshore, pela faixa que a norma interna da Petrobras define para a unidade; visita de menos de 24 horas não dá direito (cláusula 4).
  • Sobreaviso: 40% sobre o básico somado à periculosidade para quem fica à disposição da empresa por 24 horas, contra o mínimo de 20% do básico na Lei 5.811 (cláusula 4).
  • Auxílio deslocamento: passagem de ônibus para quem trabalha offshore lotado no Rio de Janeiro ou no Espírito Santo e mora em outro estado (cláusula 24).
  • Treinamento HUET: curso de escape de helicóptero submerso para quem vai à plataforma de helicóptero, dado depois da admissão e sem ser requisito do concurso (cláusula 97).

Nenhum desses direitos depende da ênfase escolhida no concurso, porque eles seguem o regime e o local da unidade em que você trabalha. O auxílio deslocamento e o HUET, por exemplo, são só de quem trabalha offshore.

Haverá um próximo concurso da Petrobras?

Até 29 de outubro de 2026, não havia edital nem data para o próximo concurso da Petrobras. A página oficial de concursos da empresa informava que não há inscrições abertas e mostrava o PSP RH 2023.2 em andamento. Como a Petrobras não divulgou pedido nem autorização de nova seleção, o próximo concurso continua em expectativa.

Enquanto isso, a lista de aprovados de 2023.2 vale até 17 de junho de 2027, pelo Edital nº 40, de 8 de dezembro de 2025. Na Operação de Lastro, o relatório de convocações de 30 de março de 2026 mostra chamados até o 49º colocado da ampla concorrência, de 67 posições. O último edital da Petrobras de nível médio traz a mesma conta para as outras ênfases.

A Petrobras abriu dois editais de nível técnico só em 2023, e os concursos anteriores da Petrobras mostram o intervalo entre um e outro. Para quem mira o concurso Petrobras embarcado, o passo de agora é escolher a ênfase pelo seu curso técnico. Depois, vale estudar pela lista de matérias do Anexo IV de 2023.2.

Português e Matemática foram iguais nas 16 ênfases, por isso são o começo mais seguro enquanto a banca do próximo concurso não sai. O curso Petrobras de nível médio e técnico reúne o preparatório da Acelera. Já a página do concurso Petrobras junta as apostilas por ênfase.

Imagem de capa: navio-plataforma na Bacia de Campos ao entardecer, foto de Ptérodactyl Ivo de 10 de maio de 2012, via Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0, recortada e com cor ajustada.

Avalie esse post
Descubra o seu perfil para o Sistema Petrobras. Fazer o teste.Descubra o seu perfil para o Sistema Petrobras. Fazer o teste.
Compartilhe este post
Avatar photo
Karina Garcia

Karina Garcia é jornalista do Acelera Concursos, onde produz notícias e conteúdos sobre concursos públicos, preparação e carreira. Foi produtora de rede na Rede Amazônica, em Manaus, e atuou em assessoria de imprensa de unidades hospitalares e órgãos públicos. Sua trajetória inclui também a cobertura de economia e política em portais de notícias.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *